US Open: história, recordes e curiosidades
O US Open existe desde 1881. Só que aquela primeira edição tinha outro nome, não era disputada em Nova York e não aceitava tenistas profissionais. O então U.S. National Championships aconteceu nas quadras de grama do Newport Casino, em Rhode Island. Duas mudanças posteriores completaram a transformação: a Era Aberta começou em 1968, e a chegada a Flushing Meadows, já em quadras duras, veio dez anos depois.
Por isso, “quando começou o US Open?” tem três respostas úteis: 1881 para o campeonato original, 1968 para o US Open moderno e 1978 para a fase em Flushing Meadows. Separar esses marcos também evita comparar os recordes da era amadora com os atuais como se o formato fosse o mesmo. Os números deste artigo estão atualizados até a edição de 2025, a última concluída antes da publicação.
US Open em números rápidos
| Pergunta | Resposta |
|---|---|
| Quando começou? | 1881; o torneio feminino começou em 1887 |
| Desde quando se chama US Open? | Desde 1968, quando profissionais passaram a jogar ao lado dos amadores |
| Onde é disputado? | USTA Billie Jean King National Tennis Center, em Flushing Meadows, Queens, Nova York |
| Qual é a superfície? | Quadra dura; Laykold desde 2020 |
| Quem venceu em 2025? | Carlos Alcaraz e Aryna Sabalenka em simples |
| Quem são os últimos campeões americanos? | Andy Roddick, em 2003, e Coco Gauff, em 2023 |
| Quem tem mais títulos de simples? | Molla Bjurstedt Mallory, com oito; o recorde masculino é de sete |
| O que se come ou bebe por lá? | O Honey Deuce é o símbolo; lobster rolls e sanduíches de carne também são comuns |
Os campeões de simples de 2025 foram Carlos Alcaraz e Aryna Sabalenka.
Quando e onde começou o US Open
A história oficial do torneio situa a primeira edição masculina em 1881, nas quadras de grama do Newport Casino. O campeonato ficou lá durante 34 anos. A competição feminina seguiu outro caminho: começou em 1887 no Philadelphia Cricket Club e foi organizada separadamente por décadas.
Em 1915, o campeonato masculino foi transferido para o West Side Tennis Club, em Forest Hills, no Queens. Houve uma passagem pela Filadélfia entre 1921 e 1923, mas Forest Hills voltou a receber o evento de 1924 a 1977. A virada decisiva ocorreu em 1968, quando amadores e profissionais puderam entrar na mesma chave e o torneio adotou o nome US Open. Nesse caso, “Open” não significa entrada gratuita para o público; indica uma competição aberta aos dois grupos de jogadores.
O tênis acabou ficando grande demais para as instalações de Forest Hills. Em 1978, o torneio atravessou o Queens e se instalou em um complexo público de Flushing Meadows, construído em torno de uma antiga área da Feira Mundial de Nova York. Desde então, é disputado no centro que hoje leva o nome de Billie Jean King.
Em uma linha do tempo curta:
- 1881: primeiro campeonato masculino, em Newport.
- 1887: início do campeonato feminino.
- 1915: mudança para Forest Hills.
- 1968: primeira edição da Era Aberta e estreia do nome US Open.
- 1978: mudança para Flushing Meadows e início da fase em quadras duras.
- 1997: o Arthur Ashe Stadium se torna a quadra principal.
- 2020: o sistema Laykold substitui o DecoTurf nas quadras duras.
O único Grand Slam disputado em três superfícies
O US Open é o único Grand Slam que já foi jogado em grama, saibro e quadra dura. Não foram apenas mudanças de aparência: cada piso favorecia padrões de jogo diferentes.
| Período | Superfície | Sede principal |
|---|---|---|
| 1881-1974 | Grama | Newport e, depois, Forest Hills |
| 1975-1977 | Har-Tru, o saibro verde americano | Forest Hills |
| 1978-atualidade | Quadra dura | Flushing Meadows |

Desde 2020, as quadras usam o Laykold, sistema escolhido oficialmente pela USTA. Isso não criou uma quarta superfície: o torneio continuou na quadra dura e apenas trocou o sistema acrílico DecoTurf pelo Laykold. Nosso guia completo de superfícies de tênis explica como grama, saibro e quadra dura mudam o quique, a velocidade e a movimentação.
Essa sequência de pisos produziu um recorde único: Jimmy Connors é o único jogador que venceu o US Open nas três superfícies. Ele foi campeão na grama em 1974, no saibro verde em 1976 e na quadra dura em 1978. Depois, ainda conquistou mais dois títulos no piso duro, em 1982 e 1983. A cronologia oficial do US Open confirma a sequência.
Quem ganhou mais vezes o US Open em simples?
Considerando toda a história do torneio, Molla Bjurstedt Mallory lidera a lista de simples, com oito títulos. Richard Sears, Bill Larned e Bill Tilden dividem o recorde masculino, com sete cada um. Se o recorte for apenas a Era Aberta, os líderes mudam: Chris Evert e Serena Williams têm seis títulos femininos, enquanto Jimmy Connors, Pete Sampras e Roger Federer dividem o recorde masculino, com cinco.
A divisão em 1968 é importante porque os formatos antigos exigiam um caminho diferente até a taça. No antigo Challenge Round masculino, o campeão entrava diretamente na final do ano seguinte. A sequência de Richard Sears ajuda a entender por que sete títulos consecutivos naquela época não significavam vencer sete rodadas em todas as edições, como aconteceria hoje.
Maiores campeões de simples de toda a história
| Chave | Jogador ou jogadora | Títulos |
|---|---|---|
| Feminina | Molla Bjurstedt Mallory | 8 |
| Masculina | Richard Sears | 7 |
| Masculina | Bill Larned | 7 |
| Masculina | Bill Tilden | 7 |
Mallory conquistou seus oito títulos entre 1915 e 1926. O registro oficial de campeões do US Open confirma tanto a marca dela quanto o empate triplo na chave masculina.
Maiores campeões de simples da Era Aberta
| Chave | Jogador ou jogadora | Títulos |
|---|---|---|
| Feminina | Chris Evert | 6 |
| Feminina | Serena Williams | 6 |
| Masculina | Jimmy Connors | 5 |
| Masculina | Pete Sampras | 5 |
| Masculina | Roger Federer | 5 |
Até o fim de 2025, ninguém havia superado os seis títulos femininos ou os cinco masculinos na Era Aberta. Federer conquistou os cinco de forma consecutiva, entre 2004 e 2008—a maior sequência masculina desse período. Sears ganhou sete seguidos de 1881 a 1887, mas sob o sistema antigo.
Ao somar simples, duplas e duplas mistas, a resposta muda outra vez. Margaret Osborne duPont detém os recordes feminino e absoluto, com 25 títulos, enquanto Bill Tilden lidera entre os homens, com 16. Esses totais reúnem conquistas em várias modalidades; não são recordes de simples.
Quando foi a última vez que um americano ganhou o US Open?
O famoso “jejum americano” vale apenas para a chave masculina. Andy Roddick, em 2003, continua sendo o último americano campeão de simples entre os homens. Na chave feminina, Coco Gauff venceu em 2023. Juntar os dois casos esconde uma diferença de 20 anos.
| Chave | Último campeão dos Estados Unidos | Ano | Adversário na final |
|---|---|---|---|
| Masculina | Andy Roddick | 2003 | Juan Carlos Ferrero |
| Feminina | Coco Gauff | 2023 | Aryna Sabalenka |
Roddick venceu a final de 2003 por 6-3, 7-6(2) e 6-3. Depois da edição de 2025, o jejum masculino americano chegou a 22 torneios concluídos. Taylor Fritz alcançou a final de 2024, mas perdeu para Jannik Sinner; em 2025, nenhum americano encerrou a sequência. Durante aquela edição, o site oficial ainda apresentava Roddick como o último americano a vencer um Grand Slam masculino.
Gauff virou a final contra Sabalenka e venceu por 2-6, 6-3 e 6-2 em 2023. Foi seu primeiro título de Grand Slam e, até 2025, a conquista americana de simples mais recente em Nova York. Jessica Pegula foi finalista em 2024 e Amanda Anisimova em 2025, mas as duas perderam para Sabalenka. A vitória de Gauff também fez dela a primeira americana adolescente campeã do torneio desde Serena Williams, em 1999.
O que se come no US Open?
Wimbledon tem morangos com creme. O US Open não possui um único prato com a mesma tradição. Seu cardápio muda todos os anos e lembra mais a própria Nova York: clássicos de estádio, chefs conhecidos e várias cozinhas dividindo o complexo.
O torneio tem, isso sim, um drinque que virou símbolo: o Honey Deuce. A receita publicada pelo US Open combina vodca, limonada e licor de framboesa, com três bolinhas de melão verde no topo. A brincadeira visual é imediata: elas parecem bolas de tênis em um espetinho.
Entre as comidas que aparecem com frequência estão:
- Lobster roll, o sanduíche de lagosta associado à costa nordeste dos Estados Unidos.
- Sanduíches de carne e hambúrgueres, com Pat LaFrieda como um dos nomes recorrentes no complexo.
- Cachorros-quentes e lanches de lanchonete, a opção mais próxima do estádio americano clássico.
- Pratos internacionais, que variam a cada edição e refletem a diversidade gastronômica de Nova York.

O Honey Deuce pode ser chamado de tradição do US Open. O restante do cardápio muda de propósito, então o guia oficial de restaurantes é a referência mais útil para cada edição.
Cinco curiosidades que explicam a personalidade do torneio
Foi o primeiro Grand Slam a usar o tie-break
O US Open introduziu o desempate em 1970 para impedir que os sets continuassem indefinidamente. A primeira versão era diferente da atual: um tie-break de nove pontos, com morte súbita em 4-4. Em 1975, ela deu lugar ao formato em que é preciso abrir dois pontos de vantagem. Nosso guia sobre por que o tênis usa o tie-break explica como a regra mudou a pontuação e a pressão no fim dos sets.
Igualou a premiação de homens e mulheres em 1973
O US Open foi o primeiro Grand Slam a pagar a mesma premiação aos campeões masculino e feminino. Em 1973, John Newcombe e Margaret Court receberam US$ 25 mil cada um, segundo a cronologia oficial daquela edição. A mudança veio depois da pressão liderada por Billie Jean King e antecedeu em décadas a igualdade de premiação nos outros majors.
O Arthur Ashe é o maior estádio construído para o tênis
Quando seu teto retrátil foi inaugurado, em 2016, a organização descreveu o Arthur Ashe Stadium como a maior arena de tênis do mundo, com 23.771 lugares. A capacidade pode variar com as configurações e as obras atuais, mas a escala continua sendo parte da experiência. Uma sessão noturna ali lembra mais um grande evento nova-iorquino do que o silêncio de um clube tradicional.
O estádio está sendo modernizado em um projeto previsto para terminar antes do US Open de 2027. Por isso, capacidade e áreas de hospitalidade podem mudar de uma edição para outra, embora o torneio continue normalmente durante as obras.
Os campeões mais jovens ainda eram adolescentes
Tracy Austin venceu a chave feminina de 1979 com 16 anos, 8 meses e 28 dias. Pete Sampras tinha 19 anos e 28 dias quando conquistou o título masculino de 1990. Os dois recordes permanecem na tabela oficial de campeões mais jovens e mais velhos.
No outro extremo, Molla Mallory venceu em 1926 aos 42 anos. Em 2023, Novak Djokovic se tornou o campeão masculino mais velho da Era Aberta, com 36 anos, 3 meses e 19 dias.
As noites de Nova York fazem parte do espetáculo
A primeira partida noturna do US Open aconteceu em Forest Hills, em 1975. Sob as luzes de Flushing Meadows, porém, a sessão noturna virou parte da identidade do torneio. O público chega depois do trabalho, os jogos podem terminar bem depois da meia-noite e a arquibancada é mais barulhenta do que nos outros Grand Slams. Jimmy Connors soube usar essa energia como poucos; décadas depois, a night session continua sendo uma das grandes atrações do evento.
As três datas que vale a pena lembrar
Quando alguém pergunta quando começou o US Open, a resposta mais útil não é uma única data:
- 1881 marca o nascimento do campeonato.
- 1968 marca o início do US Open moderno e da Era Aberta.
- 1978 marca a chegada a Flushing Meadows, às quadras duras e à personalidade nova-iorquina que conhecemos hoje.
Não são três respostas concorrentes, mas três camadas da mesma história. O campeonato nasceu em Newport, abriu as portas aos profissionais em Forest Hills e encontrou em Flushing Meadows a superfície, o estádio e a atmosfera noturna que hoje o definem.
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