Quando trocar as cordas da raquete de tênis
Uma armadilha comum ao decidir quando trocar as cordas da raquete de tênis é esperar a corda arrebentar. Se você usa multifilamento ou tripa sintética e joga pouco, isso até pode funcionar. Se usa poliéster, não. Muitas vezes o poli deixa de jogar bem muito antes de romper, e aí aparecem bolas longas, sensação seca no impacto e aquela dúvida: o problema é você ou a raquete?
Resposta rápida: troque as cordas quando perder controle, notar menos spin, ver que as cordas não voltam ao lugar, sentir uma dor nova no braço ou chegar ao limite razoável de horas para o material. Como guia simples: poliéster a cada 8-15 horas intensas, multifilamento ou tripa sintética a cada 20-40 horas, e antes disso se houver desfiamento, marcas profundas ou perda clara de tensão.
Essa regra não é perfeita. Mas é melhor do que olhar para o encordoamento e pensar: “ainda não arrebentou, então está bom”.
De quanto em quanto tempo trocar as cordas da raquete?
A recomendação mais repetida diz: troque as cordas tantas vezes por ano quanto o número de vezes que você joga por semana. Se joga duas vezes por semana, dois encordoamentos por ano. Como ponto de partida recreativo, não é ruim, mas fica curto para quem treina com poliéster, joga torneios ou bate com muito topspin.
A corda envelhece por impactos, atrito entre verticais e horizontais, perda de tensão, estilo de golpe e material. Por isso, faz mais sentido pensar em horas jogadas e sinais de desempenho, não apenas em meses.
Quando trocar as cordas pelo tipo de corda
A variável mais importante é o material. No guia de tipos de cordas de tênis, explicamos por que poliéster, multifilamento, tripa natural e tripa sintética não envelhecem do mesmo jeito. Para decidir a troca, essa diferença manda.
| Tipo de corda | Faixa prática para trocar | Principal sinal |
|---|---|---|
| Poliéster | 8-15 horas de jogo intenso | Menos snapback, menos spin, sensação seca |
| Multifilamento | 20-40 horas | Desfiamento, potência excessiva, perda de tensão |
| Tripa sintética | 20-40 horas | Corda se mexendo muito, toque apagado, quebra próxima |
| Tripa natural | 30-50+ horas se bem cuidada | Desgaste visível, umidade ou queda de tensão |
Use esses números como faixas, não como lei. Se você bate forte, usa um padrão de encordoamento aberto como 16x19 e joga com muito topspin, vai gastar cordas mais rápido. Se bate mais plano, usa padrão fechado e joga com menor frequência, geralmente consegue esticar mais o encordoamento. O calibre da corda também conta: uma corda mais fina costuma dar mais toque, mas marca e rompe antes.
Como saber se as cordas de tênis estão mortas?
O poliéster engana porque costuma aguentar muito sem romper. Essa durabilidade física é parte do apelo: ele resiste ao atrito e permite bater forte com controle. Mas a vida útil de desempenho costuma ser bem mais curta.
A Tennis Warehouse University tem uma explicação técnica útil sobre como as cordas “morrem”. Nos testes, a perda de rendimento não vem só da perda de tensão. Também aparece por mudanças na rigidez perpendicular e pelo aumento do atrito entre cordas, o que afeta o movimento lateral e o retorno das verticais: o famoso snapback. Você pode ler a análise em How Tennis Strings Go Dead.
Em quadra, isso aparece assim:
- A bola começa a sair mais longa com o mesmo swing.
- Fica mais difícil levantar a bola com topspin.
- As cordas ficam deslocadas e não voltam sozinhas ao centro.
- O impacto parece mais duro ou menos vivo.
- Você começa a prender o braço para controlar a bola.

Esse último ponto importa. Um poli velho pode fazer você jogar com mais tensão muscular, especialmente se já usa uma raquete rígida, uma tensão de cordas alta ou vem sentindo o cotovelo.
Sinais claros de que está na hora de encordoar
Você não precisa de laboratório para decidir. Se um ou mais destes sinais aparecem, o encordoamento provavelmente já saiu da melhor janela de desempenho.
Você perde controle de profundidade
Se as bolas começam a ir longas sem você mudar intenção, técnica ou bola, olhe para as cordas. Um dia ruim continua sendo um dia ruim; o sinal fica mais confiável quando se repete em dois ou três treinos.
O spin diminui
A corda não cria spin sozinha, mas um poli em bom estado ajuda as verticais a deslizarem e voltarem rápido. Em experimentos de Rod Cross e Crawford Lindsey, cordas de poliéster geraram mais spin do que nylon em condições controladas; os detalhes estão em Which Strings Generate the Most Spin?.
Quando esse movimento cai, a bola deixa de “morder” do mesmo jeito: mais bolas longas, menos queda no fim da trajetória e menos margem sobre a rede.
As cordas ficam fora do lugar
Em multifilamento ou tripa sintética, cordas se mexendo não são sempre um problema. No poliéster, se as verticais ficam tortas depois de cada ponto, normalmente é mau sinal. A corda já não desliza e retorna como deveria.
O braço começa a reclamar
Não coloque toda dor na conta das cordas. Técnica, volume, bolas, grip e peso da raquete também contam. Mas se aparece um incômodo novo quando o encordoamento já tem muitas horas, preste atenção. O cotovelo de tenista costuma estar ligado a carga repetida nos tendões extensores do antebraço; uma cama de cordas rígida ou morta pode ser uma peça do problema.
Há desgaste visível
Multifilamento desfia. Tripa sintética cria marcas e se move cada vez mais. Tripa natural desfia e sofre com umidade. O poliéster, às vezes, quase não mostra nada. Essa é justamente a armadilha.
Tabela rápida: quando reencordoar pelo quanto você joga
Se você não quer contar horas exatas, use esta tabela como ponto de partida:
| Frequência de jogo | Se usa poliéster | Se usa multi ou tripa sintética |
|---|---|---|
| 1 vez por semana | A cada 2-3 meses | A cada 4-6 meses |
| 2 vezes por semana | A cada 4-8 semanas | A cada 2-4 meses |
| 3+ vezes por semana | A cada 2-4 semanas | A cada 1-2 meses |
| Torneios ou liga | Antes de competir se já estiver gasto | Antes se notar perda de controle |
Para um iniciante que joga uma vez por semana com tripa sintética, trocar a cada poucas semanas seria exagero. Para um intermediário forte com poliéster e três sessões semanais, seis meses com o mesmo encordoamento é tempo demais.
Como aumentar a vida útil sem estragar a sensação
Nem tudo se resolve encordoando mais vezes. Você também pode escolher melhor o setup.
- Se rompe cordas rápido demais, suba um pouco o calibre: de 1.25 mm para 1.30 mm, por exemplo.
- Se o braço dói, considere multifilamento ou híbrido em vez de poli completo.
- Se perde controle cedo demais, teste uma corda com melhor manutenção de tensão. A String Performance Database da TWU permite comparar rigidez, perda de tensão e potencial de spin entre modelos.
- Se tem duas raquetes iguais, alterne as duas para não chegar ao torneio com uma raquete velha e outra recém-encordoada que parece completamente diferente.
Para a maioria dos jogadores intermediários, a recomendação é simples: se você não rompe cordas e não precisa de máximo spin, não comece por um poliéster rígido. Um multifilamento durável, uma boa tripa sintética ou um híbrido mais macio podem entregar mais valor real.
Perguntas frequentes sobre trocar cordas de tênis
Devo trocar as cordas mesmo sem arrebentar?
Sim, principalmente se você usa poliéster. A corda pode perder controle, snapback e conforto antes de romper. Se notar menos spin, impacto mais seco ou bolas longas repetidas, o encordoamento pode já ter passado da melhor fase.
Quanto dura um encordoamento de poliéster?
Para muitos jogadores intermediários, o poliéster mantém bom rendimento por cerca de 8-15 horas de jogo intenso. Ele pode durar fisicamente muito mais, mas isso não significa que ainda esteja jogando bem.
As cordas perdem tensão mesmo sem jogar?
Sim. A tensão começa a cair a partir do momento em que a raquete sai da máquina de encordoar, mesmo antes de entrar em quadra. Por isso uma raquete guardada por meses pode se sentir diferente mesmo com as cordas intactas.
Quais cordas duram mais?
O poliéster geralmente dura mais antes de arrebentar, mas perde rendimento rápido. A tripa natural mantém muito bem a tensão se for bem cuidada, embora seja cara e sensível à umidade. Multifilamento e tripa sintética dependem bastante do calibre, padrão e estilo de golpe.
A regra prática
Se você quer uma regra fácil: não troque as cordas só quando arrebentam; troque quando elas deixam de ajudar.
Para um jogador iniciante ou intermediário, o melhor sistema é anotar a data do encordoamento, o tipo de corda, a tensão e uma estimativa de horas jogadas. Depois de duas ou três trocas, você vai conhecer sua faixa real.

E se você estiver em dúvida entre comprar uma raquete nova ou revisar o encordoamento, comece pelas cordas. Muitas vezes a raquete não está errada. Ela só está jogando com um motor que já perdeu resposta.
Continue aprendendo
Transforme esta informação em uma decisão melhor para o seu jogo
Explore mais guias sobre o mesmo tema ou visite o arquivo completo para comparar suas opções com contexto.
Continue lendo
Artigos relacionados
Calibre de cordas de tênis: 1.20 vs 1.25 vs 1.30 mm
Guia de calibre de cordas de tênis: compare 1.20, 1.25 e 1.30 mm em spin, controle, conforto, durabilidade e perfil de jogo.
Tensão de cordas no tênis: libras, quilos e braço
Aprenda a escolher a tensão de cordas no tênis em libras ou quilos conforme potência, controle, spin, tipo de corda e conforto do braço.
Padrões de encordoamento: 16x19 vs 18x20 explicado
Guia completo sobre padrões de encordoamento. Descubra as diferenças reais entre 16x19 e 18x20 e como afetam seu jogo.